Choque cultural

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Fui pesquisar no Google “Choque cultural” e descobri que existe todo um conceito psicológico relacionado a esse fenômeno, com fases determinadas e tudo. A definição desse conceito é algo como “uma sensação de confusão e incerteza, às vezes com sentimentos de ansiedade, que podem afetar pessoas expostas a uma cultura ou ambiente alheios, sem uma preparação adequada”.
Achei legal compartilhar aqui com vocês, porque comigo o tal do “choque cultural” aconteceu seguindo certinho as fases descritas:

Primeira fase – A euforia

Uma etapa relativamente curta, entre as duas e três primeiras semanas e constitui um período de euforia (ou encantamento) que tem a ver com a emoção da viagem, da nova terra e das novas pessoas. É nessa fase que ficamos quando vamos de férias para um lugar novo.
Comigo, essa fase foi entre Setembro e Outubro de 2014, quando, como eu relatei nesse post, recebi um dilúvio de novidades diariamente, fiquei emocionada só de passar de ônibus entre o aeroporto e a estação de trem em Paris, chorei me despedindo de meus pais em São Paulo e vim no avião praticamente sem conseguir dormir durante o voo de 12 horas, de tanta ansiedade com a vida nova que ia começar. Nessas primeiras semanas eu ia passear sozinha em Rennes, encantada com tudo. Um simples croissant ou compra de uma baguete na padaria eram divertidíssimos porque, afinal de contas, eu estava pela primeira vez na França! Foi aí também que comecei a fazer amigos, os primeiros passeios, e comecei meu namoro. Pra completar, era finalzinho de verão, o Sol ainda predominava, e passei dias maravilhosos na Bretanha.

Segunda fase – Irritabilidade

Aqui é que o choque de cultura sente-se mais. A gente começa a se deparar com a realidade do país, que até então não tinha nenhum defeito na nossa cabeça. Aqui a gente lembra que não faz parte daquela cultura. A dificuldade de se expressar fica cansativa, e qualquer tarefa cotidiana, como pedir uma informação numa loja, revela-se um desafio enorme.
Para mim essa fase deve ter começado lá pra Janeiro de 2015 e durado uns quatro, cinco meses. Essa é hora que você não fica mais tirando foto de tudo, você começa a reparar nos defeitos das pessoas do país, você tem vontade de matar quem faz piadas com os estereótipos dos brasileiros! E pra completar, eu passei essa fase em pleno inverno quando, no Brasil, o Sol estava bombando e todos os meus conhecidos publicavam fotos de praia no Facebook e Instagram. Senti uma saudade insuportável nessa época, e não via a hora de poder ir ao Brasil. Os dias se arrastavam como se fossem meses.

Terceira fase – Conformação

Como o nome diz, na terceira fase a pessoa começa a se conformar com o processo migratório e as perdas (da família, amigos, etc) que foram vividas na fase anterior como um luto. Aqui a gente começa a entender melhor a nova cultura, tem uma visão mais racional das perdas e ganhos da experiência migratória, e começa a encontrar laços de suporte no novo cotidiano.
Eu arriscaria dizer que talvez seja nessa fase que me encontro. A cultura francesa não desperta mais nem um encantamento exagerado nem um sentimento de rejeição para mim. Consigo avaliar bem tudo o que ganhei e tenho ganhado tendo vindo morar na Europa, fazer uma tese de doutorado aqui, aprendendo um novo idioma, entre inúmeros aprendizados (falei um pouco desses aprendizados aqui). Consigo administrar melhor também a ausência da família, dos amigos, e da cultura brasileira, embora isso não signifique que a saudade acabou (acho que nunca vai acabar, o que muda é a maneira como lidamos com ela).

Quarta fase – Admiração

Esse é o momento de entendimento da cultura local. Você aprende a respeita-la, aprende com ela, a aprecia, mas também conhece os seus defeitos. Você começa a viver um novo cotidiano, inserido numa cultura diferente da sua de origem.
Será que eu já estou em transição para essa fase?
Eu gostaria de ter lido sobre choque cultural antes de tê-lo experimentado. Com certeza isso teria me ajudado a entender melhor o que se passava comigo, principalmente durante a fase dois (a mais dura). Ainda tem quem fale de “choque cultural reverso”, quando a gente retorna ao país de origem depois de muito tempo fora. Desse eu ainda não posso falar. Quem sabe um dia?
E você? Se mora fora, já experimentou alguma dessas fases do choque cultural? Comente, participe.
Até a próxima! 😉
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